segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dependência Química Segundo A Psicanálise Freudiana


Neste material sobre a dependência química será feito uma leitura psicanalítica, partindo da discussão teórica freudiana.
A visão da Teoria Psicanalítica sobre o comportamento dos adictos em narcóticos foi descrito em termos de fixação libidinal com regressão em níveis pré-genitais, orais ou mesmo mais arcaica do desenvolvimento psicossexual.
A necessidade de explicar a relação do abuso de drogas com mecanismos de defesa, controle de impulsos, perturbações afetivas e mecanismos de adaptação levou à mudança das formulações psicossexuais para formulações que salientavam a psicologia do ego. Freqüentemente, considera-se que uma séria patologia do ego, está associada com o abuso de substância, sendo considerada como indicativa de profundas perturbações do desenvolvimento. Problemas da relação entre ego e o afeto emergem como uma área problemática fundamental.

As teorias psicodinâmicas e psicossociais têm contribuído para a identificação da problemática em questão, a dependência de drogas. Onde, o abuso de substância seria um equivalente da masturbação, uma defesa contra impulsos homossexuais ou uma manifestação de regressão oral. As formulações psicodinâmicas recentes envolvem uma relação entre o uso de substâncias e depressores ou como um reflexo de uma perturbação das funções do ego.
Freud e o debate acerca da dependência química consideravam as toxicomanias e o alcoolismo como sucedâneos da masturbação, que, para ele, constituía o "hábito primário". Depois, e com referência específica ao álcool, Freud afirmava, em seu estudo “O chiste e sua relação com o inconsciente (1904)”, que, sob a influência do álcool, “[...] o homem adulto passa a comportar‑se cada vez mais como uma criança que encontra prazer tendo à sua disposição, livremente, o curso dos seus pensamentos, sem submeter‑se à compulsão da lógica” Ou seja, em 1904, Freud considerava que o alcoolismo manifestava impulsos regressivos que permitiam acreditar que o álcool, sem deixar de ser um sucedâneo, não era já, primariamente, substituto de necessidades masturbatórias adolescentes, mas sim infantis. E, na medida em que relaciona as diferentes formas de drogadição com a satisfação de necessidades infantis primárias, Freud pode afirmava que as origens da toxicomania deviam ser procuradas na fase oral do desenvolvimento.
Para a psicanálise a regressão é como um retorno a formas anteriores do desenvolvimento do pensamento, das relações e da estruturação do comportamento. Segundo Laplanche, um processo psíquico que contenha um sentido de percurso ou de desenvolvimento designa-se por regressão um retorno em sentido inverso desde um ponto já atingido até um ponto situado antes desses.
Em conseqüência, a partir de uma perspectiva rigorosamente freudiana, a drogadição pode ser interpretada em termos de fixação oral; ou seja, os fatores desencadeadores devem localizar‑se nesta área de desenvolvimento da libido da pessoa em questão. É por isso que a grande contribuição de Freud neste campo relaciona‑se com a teoria da dinâmica da oralidade, com respeito à qual salientou aspectos fundamentais, como a intolerância à espera na satisfação do desejo, a importância da fixação, da regressão etc.
A fixação é o processo pelo qual a psicanálise define como: manifestação da experiência infantil, que se repetem dentro de um quadro patológico, ou seja, influência e a repetição das experiências passadas. O fato de a libido se ligar fortemente a pessoas ou imagos, de reproduzir determinado modo de satisfação e permanecer organizada segundo a estrutura característica de uma das suas fases evolutivas. A fixação pode ser manifesta e real ou constituir uma virtualidade prevalecente que abre ao sujeito o caminho de uma regressão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário